20 de março de 2007

Peço Passagem



Se de rastejar a lagarta se cansa
Eu de pensar e de sentir virei casulo
Peço passagem a outro plano
Que é nulo todo este rastejar
Do ser humano
Andar é pesar e ao respirar
Sorvemos sempre algum veneno
Existir tampouco é inofensivo
Seu principio ativo já começa a corroer
O mecanismo do teatro do viver

Chega com essa farsa
Perdeu a graça ser humano

É asa o que no verme é padecer
Destes pés, de seu peso e caminhar
Peço passagem ao plano do ar
Que já não acho natural
O andar que é ser lagarta e doer
Ou o faltar que dizem parte do ser
Nego a norma de ser normal
O mal que é norma do viver
E sinto mais mal na norma
Que normalidade em sentir mal

Chega com essa farsa
Perdeu a graça ser humano

O ranger da engrenagem
Do esforço que faço existindo
É o ruído do mundo rindo
Traço de veneno no trago sorvido
De suco de sede.

Chega com essa farsa
Perdeu a graça ser humano

4 comentários:

  1. Anónimo12:45 a.m.

    Hmmm...
    Anda bem Niilista,não?
    Gostei.
    Faz tempo que não falo com vc,mas vc continua escrevendo maravilhosamente bem.
    Bom que isso nunca mude.
    Bjos.

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  2. Anónimo12:30 a.m.

    Querido Marcus, novamente você se supera com as palavras. Não tenho o que comentar sobre esse poema, é simplesmente perfeito.

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  3. Os sentimentos são terríveis.
    O poema em si não tem nada de bonito. Mas me admira muito sua organização de palavras, e a lucidez em meio ao caos.

    Você é uma grande pessoa. Consegui enxergar isso em meio ás brumas da sua dor.
    Conte sempre comigo.

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  4. Anónimo2:41 p.m.

    engraçado,hj d manhã eu tava me imaginando num casulo na hr q acordei
    heuehueh
    bem bom seus escritos,adorei o do caminhante,mas não consegui comentar ali
    bem bom mesmo

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